segunda-feira, 23 de outubro de 2023

A CRIANÇA MORTA

A criança que fui um dia
não existe mais.
Entretanto, não a consideram morta.
Mesmo que não seja eu
qualquer eco daquela criança
que, certamente, em mim
jamais se reconheceria.

Sei que ela está morta
junto com o corpo e o passado
que lhe definiam 
no seu extinto mundo
 de imaginações, pessoas e infâncias.

Não sou seu futuro.
Hoje , meu corpo, minha vida 
é somente outra consciência
que se perde, independente ,
em outro tempo, pessoas e  coisas
indiferente a um  passado
que nunca foi nosso.



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