quarta-feira, 7 de maio de 2025

LUTO E ENVELHECIMENTO

Hoje, todos os adultos que me importavam na infância, minhas figuras parentais mais próximas, estão mortas. Eu mesmo já tenho uma idade superior a meio século. Tal situação, quando eu era mais jovem, era inconcebível,a mais perfeita  definição de pesadelo, embora fosse uma consequência natural do simples passar dos anos.
É certo que boa parte de mim morreu com cada um deles, assim como meu mundo diminuiu com o permanente luto que me oprime. 
A morte dos meus entes queridos  é  a contrapartida do meu próprio envelhecimento. Agora sou eu o  adulto, o velho, cuja existência se estreita e naufraga, aos poucos, em seu próprio passado, acumulando vazios e perdas.
A morte em sina que nada na singularidade de uma existência realmente importa, visto que é perecível e fadado ao mais completo esquecimento.

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