Em 1989, quando estreou nos cinemas a versão de Batma
do diretor Tim Burton, estrelada por Michael Keaton e Jack Nicholson, me juntei ao coro do puritanos que torciam o nariz
para qualquer adaptação cinematográfica de clássicos dos quadrinhos.
Mas poucos anos antes, Flank Miller havia lançado seu Cavaleiro
das Trevas, O retorno, minissérie em quatro volumes quer transformaria
definitivamente o Batman dos quadrinhos. Foi seu trabalho realmente singular e surpreendente
que repaginou o homem morcego, convertendo-o em uma espécie de
anti herói muito diferente do vigilante encapuçado com o qual, até então, estávamos
acostumados.
Com o clássico de Miller o Batman ficou mais adulto e sombrio nos
quadrinhos, mas foi somente com o uniforme totalmente negro da adaptação para
os cinemas de Burton que nos demos conta do quanto ele já não
era mais o mesmo.
Eu crescia e Batman crescia comigo.... Isso tinha um
gosto de desencanto com o mundo que só mais tarde fui entender. Foi também nos
anos 90 que parei de colecionar quadrinhos. A vida adulta se anunciava
melancolicamente a minha juventude. Já não era mais possível para mim manter
certa sensibilidade infantil ou fantasiosa
sem assumir uma certa decepção existencial com a vida e o mundo. Eu me tornava “um jovem” por aqueles anos, sem
me dar conta de que perdia a infância.