Creio que não vivo apenas entre dois séculos, mas entre dois mundos: o mundo da TV e o mundo da internet. Ambos sequestram nossos afetos, desejos, opiniões e imaginação. Os dois criam um modo de vida, rotinas que configuram lembranças e vivências.
Nossa memória é midiática porque em grande parte é formatada pela experiência destes dois mundos artificiais. Isso é o mesmo que dizer que nossa subjetividade é pública e social. Não há algo como uma vida privada, uma originalidade pessoal. A maior parte de nós é constituída pelo "comum", reduzido a experiência do entretenimento, de um prazer estético artificial. Desde a segunda metade do século XX, a vida urbana nos condiciona ao artificialismo tecnológico.
Conhecer a si mesmo já não é uma questão relevante.
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