segunda-feira, 12 de agosto de 2019

MUNDOS ARTIFICIAIS

Creio que não  vivo apenas entre dois séculos, mas entre dois mundos: o mundo da TV e o mundo da internet.   Ambos sequestram nossos afetos, desejos,  opiniões e imaginação.  Os dois criam um modo de vida, rotinas que configuram lembranças e vivências.

Nossa memória é  midiática porque em grande parte é  formatada pela experiência destes dois  mundos artificiais. Isso é o mesmo que dizer que nossa subjetividade é pública e social. Não  há  algo como uma vida privada, uma originalidade pessoal. A maior parte de nós é  constituída pelo "comum", reduzido a experiência do entretenimento, de um prazer estético artificial. Desde a segunda metade do século XX, a vida urbana nos condiciona ao  artificialismo tecnológico. 

Conhecer a si mesmo já não  é uma questão relevante.

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