quarta-feira, 28 de agosto de 2019

O CAVALEIRO DAS TREVAS E O CREPÚSCULO DA INFÂNCIA


Em 1989, quando estreou nos cinemas a versão de Batma do diretor Tim Burton, estrelada por Michael Keaton e Jack Nicholson, me  juntei ao coro do puritanos que torciam o nariz para qualquer adaptação cinematográfica de clássicos dos quadrinhos.

Mas poucos anos antes, Flank Miller havia lançado seu Cavaleiro das Trevas, O retorno, minissérie em quatro volumes quer transformaria definitivamente o Batman dos quadrinhos. Foi seu trabalho realmente singular e surpreendente que  repaginou o  homem morcego, convertendo-o em uma espécie de anti herói muito diferente do vigilante encapuçado com o qual, até então, estávamos acostumados.

Com o clássico de Miller o  Batman ficou mais adulto e sombrio nos quadrinhos, mas foi somente com o uniforme totalmente negro da adaptação para os cinemas de Burton que nos demos conta do quanto ele   já não era mais o mesmo.

Eu crescia e Batman crescia comigo.... Isso tinha um gosto de desencanto com o mundo que só mais tarde fui entender. Foi também nos anos 90 que parei de colecionar quadrinhos. A vida adulta se anunciava melancolicamente a minha juventude. Já não era mais possível para mim manter certa sensibilidade infantil ou fantasiosa  sem assumir uma certa decepção existencial com a vida e o mundo.  Eu me tornava “um jovem” por aqueles anos, sem me dar conta de que perdia a infância.   


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