O que faço aqui não é exatamente um balanço biográfico, mas um esforço singelo para preservar o mundo tal como se apresentou para mim. Tento estabelecer a narrativa definidora da minha existência, os caminhos da minha finitude e meu modo próprio de me inscrever em uma determinada época e configuração de mundo. Aqui me ocupo de todos os tempos de mim mesmo em finitude e espanto. Levo a cabo um balanço provisório de quem fui em minha experiência de mundo.
terça-feira, 17 de março de 2020
A IMPOSSIBILIDADE DE DIZER A SI MESMO
Ter uma identidade é sucumbir a uma referencia afetiva existencial de cunho impessoal. A identidade não nos individualiza, ela não passa de uma experiência social homogênealizadora. Por isso não a considero um dado biográfico significativo. Minhas referências não dizem quem eu sou, mas ao que me conformei ao lado de tantos outros. Quem eu sou não é uma pergunta valida. Sou um corpo, mas me ignoro como tal através de um eu que me comunica aos outros. Como posso falar de mim sem trair o ilegível que define o exercício da minha existência? O que acontece no intervalo entre o meu nascimento e a minha morte, é o próprio mundo. Não sou eu. Sou apenas parte disso.
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