quinta-feira, 19 de agosto de 2021

DO LUTO A SAUDADE

Ninguém existe inteiramente em seu próprio corpo. Por isso, a morte dos outros é uma perda de si mesmo, a interdição de um mundo comum e cotidiano, que nos faz questionar nossa própria sobrevivência ao outro, quando sua ausência inaugura desertos.
No fundo, nosso tempo é o tempo dos outros, coabitamos a vida dividindo o mesmo hoxigênio em nossos caminhos cruzados.
Viver é, portanto, uma ação compartilhada, uma composição de corpos e afetos, que nivela a vida e a morte na intensidade e intimidade de  laços que nos atravessam.Por isso, a morte do outro carrega um pouco de nossa própria morte, e a justifica.



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