A memória afetiva é feita de uma coletânea de imagens/momentos deslocadas de seu contexto e de colorido onírico. Lembrar é, para mim, antes de tudo, sonhar. O passado é o dominio do atemporal, do mítico, que extrapola o vivido. Sei que nada é realmente como me lembro. Mas meu modo de lembrar, me diz quem me tornei.
O que faço aqui não é exatamente um balanço biográfico, mas um esforço singelo para preservar o mundo tal como se apresentou para mim. Tento estabelecer a narrativa definidora da minha existência, os caminhos da minha finitude e meu modo próprio de me inscrever em uma determinada época e configuração de mundo. Aqui me ocupo de todos os tempos de mim mesmo em finitude e espanto. Levo a cabo um balanço provisório de quem fui em minha experiência de mundo.
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