Em alguma medida
nos tornamos parte das rotinas do lugar em que habitamos. Toda vez em que fui
forçado a mudar de endereço, me senti arrancado de um cenário vivido e lançado
ao desafio de recompor minhas rotinas.
A vida pode
aparentemente não mudar muito em função de uma troca de endereço. Mas ela gera uma alteração significativa em nossa
cotidiana apreensão do mundo.
O roteiro dos
meus percursos cotidianos, como o trajeto de casa ao trabalho, sempre foi também um
frequentar pessoas e lugares cuja especificidade deixavam marcas em meu modo de
vivenciar as coisas.
Quando penso nos
vários endereços em que morei, lembro de muita gente que nunca mais vi,
referencias de ruas e lugares antes tão frequentados, mas nos quais hoje não me
reconheço mais. Em uma única década, a face de uma rua muda muito. O cotidiano é dinâmico e a própria rotina, em
seu repetir infinito, não exclui transformações.
Reencontrar lugares
que já me foram íntimos depois de um
grande hiato é sempre uma experiência de
desencontro. Pois os lugares já não os mesmos, assim como também sou outro.
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