quarta-feira, 22 de março de 2017

A MEMORIA DAS RUAS VIVIDAS



Em alguma medida nos tornamos parte das rotinas do lugar em que habitamos. Toda vez em que fui forçado a mudar de endereço, me senti arrancado de um cenário vivido e lançado ao desafio de recompor minhas rotinas.

A vida pode aparentemente não mudar muito em função de uma troca de endereço. Mas  ela gera uma alteração significativa em nossa cotidiana apreensão do mundo.

O roteiro dos meus percursos cotidianos, como o trajeto  de casa ao trabalho, sempre foi também um frequentar pessoas e lugares cuja especificidade deixavam marcas em meu modo de vivenciar as coisas.

Quando penso nos vários endereços em que morei, lembro de muita gente que nunca mais vi, referencias de ruas e lugares antes tão frequentados, mas nos quais hoje não me reconheço mais. Em uma única década, a face de  uma rua muda muito.  O cotidiano é dinâmico e a própria rotina, em seu repetir infinito, não exclui transformações.

Reencontrar lugares que já me foram íntimos  depois de um grande hiato é  sempre uma experiência de desencontro. Pois os lugares já não os mesmos, assim como também sou outro.

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