quarta-feira, 8 de março de 2017

MEMÓRIA, EXPERIÊNCIA E LEMBRANÇA



A memória não nos proporciona  o simples rememorar do passado. Não é um sinônimo de lembrança, pois esta remete aquilo que se perdeu e se converteu em um pálido registro de pensamento. A memória, em seu sentido mais forte, é a contemporaneidade de uma experiência. Ela nos diz que ainda somos naquilo que foi vivido, diz que, no aqui e agora, de alguma maneira, aquela experiência ainda acontece, que não é apenas  um passado. Lembranças podem ser reelaboradas ou esquecidas. Mas a experiência é aquilo que somos e o passar do tempo não nos tira.  


Defino experiência como uma vivência psicológica que transcende o fato bruto no tempo, que transborda a memória.  A experiência é simbólica e cíclica. Sempre pode ser reeditada. É como, usando aqui um exemplo bem simples, as celebrações do réveillon. Todos os anos, de forma diferente, repetimos pessoalmente a mesma experiência. E ela nunca acontece exatamente da mesma forma.  Mas sua “natureza” é impessoal. É como a história de uma amizade. Dois amigos serão sempre dois amigos e isso diz muito sobre qualquer um que já tenha vivido uma grande amizade. Mas viver uma amizade é algo banal e comum a todos. Nossa história pessoal nada tem de especial.


A memória é a presença da experiência como modo de acontecer de nossa própria  condição humana. É aquilo que nos é profundamente pessoal ( no superficial da lembrança particular) e, ao mesmo tempo, indiretamente  compartilhado  com todo mundo ( como experiência universal). 


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