A memória não nos
proporciona o simples rememorar do passado.
Não é um sinônimo de lembrança, pois esta remete aquilo que se perdeu e se
converteu em um pálido registro de pensamento. A memória, em seu sentido mais
forte, é a contemporaneidade de uma experiência. Ela nos diz que ainda somos
naquilo que foi vivido, diz que, no aqui e agora, de alguma maneira, aquela
experiência ainda acontece, que não é apenas
um passado. Lembranças podem ser reelaboradas ou esquecidas.
Mas a experiência é aquilo que somos e o passar do tempo não nos tira.
Defino experiência como uma vivência psicológica que transcende o fato bruto no tempo, que transborda a memória. A experiência é simbólica e cíclica. Sempre
pode ser reeditada. É como, usando aqui um exemplo bem simples, as celebrações
do réveillon. Todos os anos, de forma diferente, repetimos pessoalmente a mesma
experiência. E ela nunca acontece exatamente da mesma forma. Mas sua “natureza” é impessoal. É como a
história de uma amizade. Dois amigos serão sempre dois amigos e isso diz muito
sobre qualquer um que já tenha vivido uma grande amizade. Mas viver uma amizade
é algo banal e comum a todos. Nossa história pessoal nada tem de especial.
A memória é a presença da
experiência como modo de acontecer de nossa própria condição humana. É aquilo que nos é
profundamente pessoal ( no superficial da lembrança particular) e, ao mesmo
tempo, indiretamente compartilhado com todo mundo ( como experiência universal).
Nenhum comentário:
Postar um comentário