Quando criança a hora das refeições
eram recheadas de sabores e gulodices. Além disso, havia sempre entre o café da
manhã, almoço, café da tarde, janta e o derradeiro lanche da noite alguma
mastigação. Comer era uma atividade constante e um modo de experimentar o próprio
mundo.
Hoje meu apetite é bem modesto. Afinal,
o corpo muda e nossas necessidades e prazeres também. Mas tenho saudades
daquele período de juventude onde a intensidade das coisas e o ritmo dos dias
eram literalmente comestíveis. Domingo, por exemplo, era dia de frango ensopado
com batatas e de bolo de banana. Também eram especiais aqueles dias em que
minha avó materna, prendada cozinheira, fazia seu delicioso ensopado de carne. Não
era raro eu devorar três pratos fundos.
Lembro-me também da farta
variedade de doces caseiros que consumia em
boas quantidades. Desde o arroz doce com canela, passando pelo bom
bucado até o picolé vendido por ambulantes em pequenas caixas de isopor.

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