O que faço aqui não é exatamente um balanço biográfico, mas um esforço singelo para preservar o mundo tal como se apresentou para mim. Tento estabelecer a narrativa definidora da minha existência, os caminhos da minha finitude e meu modo próprio de me inscrever em uma determinada época e configuração de mundo. Aqui me ocupo de todos os tempos de mim mesmo em finitude e espanto. Levo a cabo um balanço provisório de quem fui em minha experiência de mundo.
domingo, 27 de setembro de 2020
SOBRE A MISÉRIA DA VIDA ADULTA
IMAGEM & MEMÓRIA
domingo, 20 de setembro de 2020
Órfandade
quarta-feira, 16 de setembro de 2020
MATURIDADE E ENVELHECIMENTO
segunda-feira, 14 de setembro de 2020
SOBRE O ABSURDO DA VIDA
sexta-feira, 4 de setembro de 2020
SOBRE OS ANOS 70 III
Um habito muito comum entre as donas de casa nos anos 70, era moer carne em um pequeno moedor caseiro. Para mim aquela atividade tinha um conteúdo lúdico, era como uma brincadeira. Sempre provava na ocasião um pouquinho de carne crua. Mesmo que sob a censura dos adultos que consideravam isso um mau costume.
Cabe esclarecer que naquela época era muito comum a participação direta ou indireta das crianças nos afazeres domésticos.
SOBRE OS ANOS 70 II
A sensibilidade de uma época é em grande parte definida pelos objetos e hábitos cotidianos. O espaço e o uso das coisas dizem mais o tempo do que a passagem dos anos no calendário.
Dentre os objetos que definiam nossos hábitos e experiências nos anos 70, além das folhas de acetato colorido com o qual cobríamos a tela da TV preto e branco, é o escovão usado para passar cera nos tacos de madeira , então muitos frequentes como piso dos cômodos das residências. Em relação a eles a enceradeira elétrica ( terrivelmente barulhenta) foi um grande progresso na época. Encerar o chão fazia parte da rotina dos afazeres domésticos. Costuma ajudar minha mãe nesta tarefa.
MEMÓRIA E EXPERIÊNCIA VIVIDA
O caráter afetivo da memória é o que nos confere identidade como viventes dentro do tempo e dos outros que nos frequentam. É através do lugar da memória no acontecimento da consciência que nosso eu se formata. Mas nada disso faz valer o esforço de qualquer reflexão autobiográfica. Tudo esvai, tudo se perde, e nada do que vivi é digno de qualquer permanência ou lembrança. O mundo segue sempre indiferente a migalha de nossas vidas.
Por outro lado, envelhecer é habitar lembranças. Não há como fugir delas. E sempre lembramos das coisas de um modo diferente a cada momento, obedecendo as urgências de nosso sentimento de agora. Deste modo, lembrar não é um ato de pensamento orientado ou controlado por um ego. É um processo que nos foge do controle.
Não devemos
impor as nossas lembranças qualquer encadeamento ou teleologia. A vida não é um evoluir linear de experiências e fatos que seguem os roteiros impostos
pela sociedade. É sempre algo mais do que isso, algo imprevisível e sem qualquer finalidade.

