domingo, 20 de setembro de 2020

Órfandade

Nos últimos anos sempre me perguntei se haveria para mim vida possível depois da Morte da minha mãe. Agora que a perdi, me confronto com a resposta a tal questionamento.
De fato, ela ocupava o centro de meus enraizamentos na realidade e no tempo, me proporcionava uma ambiência  e identidade com o mundo. Agora que a perdi, nada é  mais como antes. Há um traço amargo de morte em tudo que sinto e que faço. Algo que transcende o luto e se afirmar como sensibilidade. A vida para mim se tornou um deserto. Não me sinto mais vivo, mas não  estou morto. Sou apenas um órfão  perdido, enterrado no continuar dos dias,  sem vontade alguma de seguir em frente.
 

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