O que faço aqui não é exatamente um balanço biográfico, mas um esforço singelo para preservar o mundo tal como se apresentou para mim. Tento estabelecer a narrativa definidora da minha existência, os caminhos da minha finitude e meu modo próprio de me inscrever em uma determinada época e configuração de mundo. Aqui me ocupo de todos os tempos de mim mesmo em finitude e espanto. Levo a cabo um balanço provisório de quem fui em minha experiência de mundo.
sábado, 26 de maio de 2018
A UTOPIA DA INFÂNCIA
terça-feira, 22 de maio de 2018
SOLIDÃO E BIOGRAFIA
sábado, 19 de maio de 2018
A MATINHA
SOBRE A MORTE DO MEU PAI
O SENTIDO DA NOSTALGIA
sexta-feira, 18 de maio de 2018
ROBÔS
quarta-feira, 16 de maio de 2018
MEMÓRIA PESSOAL E RECUSA DO TEMPO HISTÓRICO
O ELO PERDIDO INFANTIL
sexta-feira, 11 de maio de 2018
O PASSADO NUNCA PASSA
ENVELHECER É REINVENTAR INFÂNCIAS
quinta-feira, 10 de maio de 2018
TERRITÓRIO EXISTENCIAL
segunda-feira, 7 de maio de 2018
IMPRESSÃO BIOGRÁFICA
LEITURAS DE FORMAÇÃO I
TPelo que me lembro, foi no final dos anos oitenta do século passado que comecei a me interessar pelos livros. Isso sem abandonar a paixão pelas HQs.
O mundo vivia um momento de reviravoltas que marcariam profundamente os anos noventa. A queda do muro de Berlim, o fim da URSS e depois a guerra no golfo, além dos confritos no Oriente Médio, mostravam o quanto não havia nada a se comemorar com o fim da guerra fria. Tudo era pura incerteza naquele fim de século de surpreendentes novidades.
Comecei a ler historiografia, literatura e filosofia. Até hoje estes três campos ainda definem meus interesses como leitor. Minha primeira curiosidade intelectual foi o anarquismo e depois o Marxismo. Por mais que Proudhon e Bakunin me fascinacem acabei me incrinando para Marx e o Marxismo. Afinal, naquele momento, a militância politico partidária era o que parecia mais concreto e efetivo para um morador de província. Como anarquista seria apenas um sonhador isolado vivendo de devaneios de contra cultura. Afinal, na mesma época o rock se consolidava para mim como uma referência identidaria. Logo me rendi a dialética e Hegel como uma espécie de revelação religiosa.
Como todo adolescente inquieto e solitário eu era demasiadamente ingênuo e voluntarista e vislumbrava a militância política como uma estratégia de socialização. Não demorou muito e me tornei um militante comunista. Como eram tempos de perestroika e crise do movimento comunista, pelo menos não sucumbi a um marxismo ortodoxo. Em pouco tempo, mesmo Flertando com o anarquismo, passei a me definir como um comunista cuja principal referência era Lukacs e a Escola de Frankfurt. Preferia uma leitura mais filosófica do "jovem Marx" do que seus textos sobre economia política. Eu não sabia, mas havia me tornado mais um hegeliano de esquerda do que um Marxista. Sartre um outro autor que me dispertou profundo interesse naquele período e hoje basicamente não me diz nada.

