Os acontecimentos ditos históricos ou sociais ocupam um lugar modesto na geografia de minhas memórias pessoais. Podem se refletir em hábitos epocais , objetos e experiencias midiáticas como programas de TV, mas não são personificados por acontecimentos. Minha memória é seletivamente direcionada para os fatos cotidianos do meu existir privado. Seja no seio familiar ou na rotina escolar. O acontecer do mundo não me deixou memórias ou marcas existenciais. Muito provavelmente porque os considero descartáveis e meras notícias de jornal.
O que faço aqui não é exatamente um balanço biográfico, mas um esforço singelo para preservar o mundo tal como se apresentou para mim. Tento estabelecer a narrativa definidora da minha existência, os caminhos da minha finitude e meu modo próprio de me inscrever em uma determinada época e configuração de mundo. Aqui me ocupo de todos os tempos de mim mesmo em finitude e espanto. Levo a cabo um balanço provisório de quem fui em minha experiência de mundo.
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