segunda-feira, 7 de maio de 2018

LEITURAS DE FORMAÇÃO I

TPelo que me lembro, foi no final dos anos oitenta do século passado que comecei a me interessar pelos livros. Isso sem abandonar a paixão pelas HQs.
O mundo vivia um momento de reviravoltas que marcariam profundamente os anos noventa. A queda do muro de Berlim, o fim da URSS e depois a guerra no golfo, além dos confritos no Oriente Médio, mostravam o quanto não havia nada a se comemorar com o fim da guerra fria. Tudo era pura incerteza naquele fim de século de surpreendentes novidades.
Comecei a ler historiografia, literatura e filosofia. Até hoje estes três campos ainda definem meus interesses como leitor.  Minha primeira curiosidade intelectual foi o anarquismo e depois o Marxismo. Por mais que Proudhon e Bakunin me fascinacem acabei me incrinando para Marx e o Marxismo. Afinal, naquele momento, a militância politico partidária era o que parecia mais concreto e efetivo para um morador de província. Como anarquista seria apenas um sonhador isolado vivendo de devaneios de contra cultura. Afinal, na mesma época o rock se consolidava para mim como uma referência identidaria. Logo me rendi a dialética e  Hegel como uma espécie de revelação religiosa.
Como todo adolescente inquieto e solitário eu era demasiadamente ingênuo e voluntarista e vislumbrava a militância política como uma estratégia de socialização. Não demorou muito e me tornei um militante comunista. Como eram tempos de perestroika e crise do movimento comunista,  pelo menos não sucumbi a  um marxismo ortodoxo. Em pouco tempo, mesmo  Flertando  com o anarquismo, passei a me definir como um comunista cuja principal referência era Lukacs e a Escola de Frankfurt. Preferia uma leitura mais filosófica do "jovem Marx" do que seus textos sobre  economia política. Eu não sabia, mas havia me tornado mais um hegeliano de esquerda do que um Marxista. Sartre um outro autor que me dispertou profundo  interesse naquele período e hoje basicamente não me diz nada.

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