Quando eu era
criança era hábito na província em que nasci permitir aos pequenos, em seus
primeiros anos, usar as mãos nas refeições diárias sem o constrangimento do uso
dos talheres. Como a base da alimentação era o feijão com farinha combinado com
arroz e carne, a comida era reduzida a uma massa nutritiva de sabor peculiar.
Não sei a razão
de considerar tão significativo este rude costume. Acho que associo livremente
o uso das mãos na alimentação a uma pratica de liberdade contra as convenções. Ou,
talvez, simplesmente me chame atenção seu desuso e a precoce introdução dos
talheres na cultura da infância nos dias de hoje.
Ser criança é
uma construção social que vem mudando vertiginosamente nos últimos tempos em
curto espaço de tempo. Os mais jovens são agora acostumados a lidar com um
volume de imagens e informações cujo acesso era antes reservado a um adulto razoavelmente
culto.
Ao mesmo tempo,
a experiência dos espaços e das paisagens, do mundo natural, parece cada vez
mais distante da experiência da infância em uma sociedade tecnológica e cada
vez mais definida pelo virtual. As crianças já não possuem uma imaginação de
jardim. Pessoalmente, minha infância foi marcada por brincadeiras em jardins.
Vantagem de ter sido criado em casas e não em apartamentos.
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