Quando eu tinha vinte ou trinta
anos, me encantava intensamente com certos livros e filmes que hoje me parecem
peças banais das artes do século XX. Não guardo mais aquele deslumbramento da
descoberta que preenchia de significados e buscas estas pequenas experiências estéticas.
Hoje as considero banais embora ainda me despertem profunda admiração.
Certamente, o que mudou não foi
minha compreensão destas obras, mas minha capacidade de ser afetado por estas
pequenas experiências vocacionadas a
realização de qualquer gozo intelectual.
Envelhecer me tornou cético e um
pouco insensível. Coisa que não considero ruim. Já não sou arrebatado por
qualquer coisa. Este é um defeito dos jovens. Com o peso do tempo nos ombros perdi muita
daquela vaidade e audácia que me caracterizava. Deixei de sonhar outros mundos,
com futuros redentores que expulsariam todas as insuficiências da minha vida
cotidiana.
Filmes e livros já não me
transformam em outro na vida do pensamento. Hoje sei que nenhum conhecimento ou
opinião fará de mim uma pessoa melhor. Deixei definitivamente para traz meus
dias de inocente romantismo. Vivi o suficiente para me tornar um pouco de tudo aquilo que não queria ser
quando jovem.
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