quarta-feira, 4 de julho de 2018

A MATURIDADE COMO DESENCANTAMENTO



Quando eu tinha vinte ou trinta anos, me encantava intensamente com certos livros e filmes que hoje me parecem peças banais das artes do século XX. Não guardo mais aquele deslumbramento da descoberta que preenchia de significados e buscas estas pequenas experiências estéticas. Hoje as considero banais embora ainda me despertem profunda admiração.

Certamente, o que mudou não foi minha compreensão destas obras, mas minha capacidade de ser afetado por estas pequenas experiências  vocacionadas a realização de qualquer gozo intelectual.

Envelhecer me tornou cético e um pouco insensível. Coisa que não considero ruim. Já não sou arrebatado por qualquer coisa. Este é um defeito dos jovens. Com o peso do tempo nos ombros perdi muita daquela vaidade e audácia que me caracterizava. Deixei de sonhar outros mundos, com futuros redentores que expulsariam todas as insuficiências da minha vida cotidiana.

Filmes e livros já não me transformam em outro na vida do pensamento. Hoje sei que nenhum conhecimento ou opinião fará de mim uma pessoa melhor. Deixei definitivamente para traz meus dias de inocente romantismo. Vivi o suficiente para me tornar  um pouco de tudo aquilo que não queria ser quando jovem.


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