Se o rock e,
especialmente o heavy metal, sempre representaram para mim um ethos, um modo de vida construído a
partir de uma dada sensibilidade musical, alguns álbuns de MPB, sempre me
comunicaram qualquer sentimento, nostalgia, ou, simplesmente, ambientações de
infância. Diferente do rock, cuja sonoridade me diz sempre o presente e o
futuro, certa MPB me comunica um passado remoto. Não é por coincidência que
os três álbuns que melhor traduziram para mim tal sentimento sejam tropicalistas.
Refiro-me ao lírico, saudosista e delicioso Domingo de
Gal Costa e Caetano Veloso (1967), que é quase uma reverência a revolução da bossa nova e a João
Gilberto, o primeiro álbum de Caetano
Veloso (1968) e o primeiro álbum solo de Gal Costa (1969). Neste dois últimos, a tropicaria explode
em cores e sonoridades únicas.
Os três álbuns juntos
compõem um único passeio sonoro existencial. Nunca consegui separa-los como experiência musical. Mesmo tendo adquirido e conhecido cada um deles em momentos diferentes ao longo dos anos 90; época em que todos os meses me deliciava com a compra de pelo menos um vinil novo.



