Muita gente comemorou equivocadamente a chegada do século XXI no réveillon do ano 2000. Mas quando ele finalmente chegou um ano depois, foi recebido com toda ansiedade e expectativa que merecia o marco simultâneo de um novo século e milênio. Mas o otimismo de ficção científica das décadas anteriores em relação ao futuro já começava a dar lugar ao fantasma das distopias. Predominou, então, uma certa perplexidade com o fim do século XX e sua herança de guerras e incertezas políticas. Era mais do que claro que o novo século não seria dos mais estimulantes. O medo do bug do milênio ou da pane dos computadores na chegada do novo milênio bem definiu aquele momento.
No plano pessoal, naquele momento, eu iniciava o único envolvimento amoroso sério que teria na vida e, portanto, me encontrava bastante otimista em relação ao futuro.Recebi o novo ano na praia de Copacabana confiante em dias melhores. É claro que este sentimento ingênuo e pueril não resistiu ao passar de alguns poucos anos. Hoje em dia sou totalmente indiferente as celebrações de ano novo e não me reconheço naquele jovem que sorria a chegada dos anos 2000.
Duas décadas depois, o novo século já fez fama como um período obscuro da História da humanidade e os nostálgicos de um falsa idade de ouro de um passado perdido estão em alta ao lado daqueles que esperam o fim do mundo.