quarta-feira, 29 de janeiro de 2020

PINOS MÁGICOS


Nos anos 70 do século passado, os pinos mágicos eram um brinquedo simples que aguçava espantosamente a imaginação e gozava de grande popularidade. Era possível montar quase qualquer coisa com eles.

Seu princípio básico era o “faz de conta”, a semelhança das peças de lego, também muito vendidas na época. Conceber e inventar brinquedos com eles era um divertido passatempo infantil com verniz educacional. Ocupava as mãos e a imaginação.

Ser criança nos anos 70 ainda pressupunha o domínio de pouca informação e o cultivo praticamente ilimitado da imaginação.

terça-feira, 28 de janeiro de 2020

O NOVO SÉCULO


Muita gente comemorou equivocadamente a chegada do século XXI no réveillon do ano 2000. Mas quando ele finalmente chegou um ano depois, foi recebido com toda ansiedade e expectativa que merecia o marco simultâneo  de um novo século e milênio. Mas o otimismo de ficção  científica das décadas anteriores em relação ao futuro já  começava a dar lugar ao fantasma das distopias. Predominou, então,  uma certa perplexidade com o fim do século XX e sua herança de guerras e incertezas políticas. Era mais do que claro que o novo século não seria dos mais estimulantes. O medo do bug do milênio ou da pane dos computadores na chegada do novo milênio bem definiu aquele momento. 

No plano pessoal, naquele momento, eu iniciava o único envolvimento amoroso sério   que teria na vida e,  portanto, me encontrava bastante otimista em relação ao futuro.Recebi o novo ano na praia de Copacabana confiante em dias melhores. É  claro que este sentimento ingênuo e pueril não resistiu ao passar de alguns poucos  anos. Hoje em dia sou totalmente indiferente as celebrações de ano novo e não me reconheço naquele jovem que sorria a chegada dos anos 2000.

Duas décadas depois, o novo século já fez  fama como um período obscuro da História da humanidade e os nostálgicos de um falsa idade de ouro de um passado perdido estão  em alta ao lado daqueles que esperam o fim do mundo.

LEMBRANDO MINHA AVÓ


Quando eu era miúdo, abaixo dos oito anos, tinha profundo prazer em testemunhar minha avó materna em seus afazeres domésticos. Adorava vê-la ensaboando roupas no tanque, preparando almoço ou passando café no velho coador de pano qualquer hora da tarde. Sua rotina preenchia meu tempo depois da escola.

Sei que eu não era o mais afetuoso dos netos. Como toda criança vivia demasiadamente centrado em meu  universo particular de fantasia. Mas a presença da minha avó preenchia cotidianamente meu estar no mundo. Prova disso é o modo todo especial que a guardo na memória como referência dos melhores tempos da vida.

quarta-feira, 22 de janeiro de 2020

DA ESCOLA A FACULDADE

Ao longo da minha infância e adolescência a escola sempre foi para mim um lugar de convivência e sociabilidade do que propriamente de aprendizado formal. Fui um aluno mediano e sem brilho que via nos estudos escolares uma obrigação, um fardo.

Acabei  fazendo escola técnica  seguindo uma tendencia da cidade em que vivia. Mas profissionalmente não me identificava com a persona de técnico em estradas. Assim, concluído o curso, não havia outro caminho a não ser buscar outra qualificação  profissional mediante alguma opção  universitária. Minha mãe  esperava que eu fosse alguém na vida e ter uma faculdade era parte disso. Mas eu, pessoalmente, não  era ambicioso.  Era do tipo sonhador. Acabei optando por uma modesta graduação  em História. Ironicamente, vislumbrava a possibilidade de me tornar professor, motivado pelo meu interesse pela militância política de esquerda. Justo eu que como aluno era tão  cético em relação a educação formal. Com este pretexto sai de casa para estudar na capital e inventar meu destino.  Nada aconteceu como o planejado...

Retrospectivamente avalio que este foi o grande equívoco que definiu meu futuro. Estava mais preocupado em mudar o mundo do que em ter uma profissão. Ao longo da faculdade fui eu quem mudei e sacramentei a vocação  para não ser nada na vida. Afinal, o que eu realmente queria era ser poeta. Nunca quis ser um escravo assalariado sem tempo para saber da vida.

domingo, 19 de janeiro de 2020

O FANTASMA NUCLEAR


Cresci nos anos 70 do século XX e, portanto, imerso no imaginário belicioso da guerra fria. Guerras locais faziam parte dos noticiários, assim como a constante ameaça de um apocalipse  nuclear.

O tema da radioatividade e da cultura nuclear eram expressão da irracionalidade e falta de controle de uma realidade mundial definida pelo conflito velado e aberto entre nações. 

Dois exemplos do universo das HQs que refletem uma inquietação com as tecnologias nucleares são as personagens do Hulk e do homem aranha. Tanto Peter Paker quanto Bruce Banner tem suas vidas alteradas por acidentes radioativos envolvendo pesquisas neste campo. O mesmo  pode ser dito sobre o quarteto fantástico.

A profunda relação entre quadrinhos e guerra, definitivamente estabelecida nos Estados Unidos da segunda grande guerra, ressignificou-se ao longo dos anos 60 e 70 em meio a efervescência cultural que definiu tal época.  O fantasma da bomba atômica nos assombrava. Acreditávamos que a energia nuclear selaria o futuro humano.




quinta-feira, 16 de janeiro de 2020

BOLHAS DE SABÃO


Uma das minhas brincadeiras mais simples e intensas de infância era fazer bolhas de sabão. Nos anos 70 do século XX, era um passa tempo comum entre as crianças. O tipo de experiência  que escapa a sensibilidade dos infantes contemporâneos, cuja imaginação foi definitivamente capturada pela tela e pelos simulacros da tecnologia.

Nos anos 70 brincar ainda era um exercício de encantamento dos objetos através  da sensibilidade de uma imaginação selvagem. Fazer bolhas de sabão era um exercício mágico transcendental. 

quarta-feira, 15 de janeiro de 2020

NULIDADE BIOGRÁFICA

Perdi a vitalidade da juventude quando me dei conta que a vida cotidiana não passa de uma prisão.  Desde então não  cultivo ilusões  sobre meu destino pessoal ou sobre as possibilidades e potencialidades dos meus atos. Tenho vivido como um condenado sentenciado por uma sociedade onde a minha existência não  passa de um dado estatístico. Nenhuma biografia é  relevante, toda memória pessoal é   descartável no arquivo dos cemitérios.