Ao longo da minha infância e adolescência a escola sempre foi para mim um lugar de convivência e sociabilidade do que propriamente de aprendizado formal. Fui um aluno mediano e sem brilho que via nos estudos escolares uma obrigação, um fardo.
Acabei fazendo escola técnica seguindo uma tendencia da cidade em que vivia. Mas profissionalmente não me identificava com a persona de técnico em estradas. Assim, concluído o curso, não havia outro caminho a não ser buscar outra qualificação profissional mediante alguma opção universitária. Minha mãe esperava que eu fosse alguém na vida e ter uma faculdade era parte disso. Mas eu, pessoalmente, não era ambicioso. Era do tipo sonhador. Acabei optando por uma modesta graduação em História. Ironicamente, vislumbrava a possibilidade de me tornar professor, motivado pelo meu interesse pela militância política de esquerda. Justo eu que como aluno era tão cético em relação a educação formal. Com este pretexto sai de casa para estudar na capital e inventar meu destino. Nada aconteceu como o planejado...
Retrospectivamente avalio que este foi o grande equívoco que definiu meu futuro. Estava mais preocupado em mudar o mundo do que em ter uma profissão. Ao longo da faculdade fui eu quem mudei e sacramentei a vocação para não ser nada na vida. Afinal, o que eu realmente queria era ser poeta. Nunca quis ser um escravo assalariado sem tempo para saber da vida.
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