Este profundo abismo que percebo
entre o meu passado e o meu presente é fonte de angustia. Afinal, traduz um
certo estado de dissociação de consciência. Sinto-me perdido entre o afeto e
identidade com meus eus antigos e a necessidade de um existir para o aqui e
agora que não me afeta na mesma intensidade. É como se viver fosse olhar para traz
e lamentar o que se perdeu, enquanto o presente e suas urgências exigem toda a atenção
possível. Mas ausências povoam minha presença.
O que faço aqui não é exatamente um balanço biográfico, mas um esforço singelo para preservar o mundo tal como se apresentou para mim. Tento estabelecer a narrativa definidora da minha existência, os caminhos da minha finitude e meu modo próprio de me inscrever em uma determinada época e configuração de mundo. Aqui me ocupo de todos os tempos de mim mesmo em finitude e espanto. Levo a cabo um balanço provisório de quem fui em minha experiência de mundo.
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