Cursar uma graduação nos anos 1990 nem de longe representou para mim a aposta em uma vida acadêmica ou em uma carreira universitária. Foi ao contrário o coroamento da minha vida de estudante.
Em outras palavras, os anos de graduação, foram a experiência máxima de um ethos estudantil, de um estilo de vida juvenil que, em termos de rito de passagem, corresponderia a uma transição a contra gosto para chamada vida adulta e produtiva.
Como é muito convencional, considero que os anos de graduação foram os melhores da minha vida. Um momento de experimentações e convivências únicas que definiram minha sensibilidade e subjetividade de modo duradouro.
Mas nem de longe encarei estes anos de forma prática ou pragmática, pensando na construção de uma persona social ou profissional. Sempre resisti a ideia de ter uma profissão e ser escravo de qualquer trabalho. Expulso do paraíso da vida de estudante, após o fim dos anos de graduação, não me conformei ao deserto de uma pós graduação ou a busca de uma inserção no mercado de trabalho.
Minha sobrevivência permaneceu dependente do arranjo precário e provisório de um vínculo impregatício pouco satisfatório. Foi o preço que paguei por minha irracional resistência ao caminho que eu mesmo havia até então construído para mim mesmo. Minha juventude passava com os anos , mas meu desajuste a sociedade em que vivia permanecia como um inconveniente traço de personalidade.