Os pequenos bonecos de borracha de super heróis
vendidos pela Guliver nos anos de 1970 não
fariam muito sucesso entre as crianças de hoje. Atualmente a fantasia já não se
conforma a um território simbólico próprio, distinto da realidade. Pelo contrário,
ela se faz mais sedutora quanto mais é capaz de simular o real a ponto de converte-se
em seu duplo mais que perfeito.
Os brinquedos antigos, ao contrario,
exigiam uma boa carga de imaginação e fantasia. Éramos crianças prodigiosas na
arte da invenção e da simulação. Agora a imaginação exige ficções hiper realistas.
Nossos velhos e toscos bonecos de borracha foram substituídos por figuras de ação
articuladas que, mesmo mantendo ainda algum atrativo, não rivalizam com os vídeo
games que, diga-se de passagem, não param de evoluir. Gostaria de ter tido essa opção na minha época. Ser criança nestas
primeiras décadas do século XXI é uma experiência realmente mais rica que pões
em questão o próprio conceito de infância. Depois da internet qualquer pirralho de dez anos tem acesso durante
um único dia a um volume de informações e dados que eu certamente precisaria na
minha juventude de vários anos para acumular as duras penas.

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