Atribuo a demasiada importância que as memórias de infância e de juventude possuem em nosso acervo pessoal de lembranças a um traço de nossa cultura. Associamos a maturidade e a velhice à um período de desencanto com a vida. É quando somos escravos de obrigações, preocupações e exigências sociais, que nos roubam a espontaneidade e o prazer de viver. A infância e a juventude são o contrário disso.
O passado só nos apresenta como uma espécie de idade do ouro porque o presente é para nós um tempo de carências e urgências infinitas. Já o futuro, quanto mais envelhecemos, se perde em um horizonte de incertezas.
A falta que sinto do pequeno mundo familiar e privado da juventude é para mim, antes de tudo, uma profunda recusa do tempo presente e de suas mazelas coletivas.
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