Recordações perdidas e fragmentos soltos
frequentam o quarto quase vazio das memórias antigas. Entre estas lembranças
existe uma, especialmente, que se destaca por sua vitalidade. Ela parece,
assim, remeter a um acontecimento de ontem, mas o fato que lhe sustenta o rosto
já acumula décadas de desaparecimento. Não há como explicar sua intensidade. Trata-se
de um simples fragmento descontextualizado, um retalho de tempo, que não
preenche dois minutos de um dia. Sua força, definitivamente, não esta na alusão
a um fato, mas a uma atmosfera, a uma ambientação, que define o tempo/lugar de
uma experiência.
Assim, simplesmente me lembro de estar com
meus pais em casa, em qualquer dia de infância, simplesmente brincando, fazendo
coisas banais. Não há qualquer significado nesta lembrança, apenas um gosto de
ser nas coisas que me comove em mil intensidades de nostalgia.
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