O que faço aqui não é exatamente um balanço biográfico, mas um esforço singelo para preservar o mundo tal como se apresentou para mim. Tento estabelecer a narrativa definidora da minha existência, os caminhos da minha finitude e meu modo próprio de me inscrever em uma determinada época e configuração de mundo. Aqui me ocupo de todos os tempos de mim mesmo em finitude e espanto. Levo a cabo um balanço provisório de quem fui em minha experiência de mundo.
quinta-feira, 16 de dezembro de 2021
Primeira comunhão
domingo, 5 de dezembro de 2021
MÚSICA E SEC. XX
segunda-feira, 29 de novembro de 2021
INTROSPECÇÃO
MINHA CIDADE
sábado, 27 de novembro de 2021
SONHOS 80
UM ESTUDANTE CONTRA AS PROVAS
segunda-feira, 15 de novembro de 2021
MEU FUTURO É O PASSADO
NASCIMENTO
domingo, 7 de novembro de 2021
O ESTUDANTE CONTRA A ESCOLA
sábado, 6 de novembro de 2021
DESENHOS
sexta-feira, 5 de novembro de 2021
PRIMEIROS DESENHOS
quinta-feira, 4 de novembro de 2021
INFÂNCIA E META REALIDADE
Na minha sensibilidade e imaginação infantil o universo das HQs e dos brinquedos estavam entrelaçadas na invenção de um mundo paralelo onde a vida era mais real do que a realidade.
Eu não associava as aventuras dos meus heróis a qualquer forma de fuga da realidade. Pelo contrário, tratava-se de uma realidade mais viva, mesmo que artificial e imaterial.
Para uma criança a realidade é um dado incerto...
quarta-feira, 3 de novembro de 2021
ANCESTRALIDADE
segunda-feira, 1 de novembro de 2021
ANOS 70
sábado, 30 de outubro de 2021
FIM DO TEMPO
quarta-feira, 27 de outubro de 2021
MEMÓRIA E IMPESSOALIDADE
domingo, 24 de outubro de 2021
FICÇÕES E MEMÓRIA
sábado, 23 de outubro de 2021
CONSCIÊNCIA NÔMADE
sábado, 16 de outubro de 2021
LEMBRANÇAS
sexta-feira, 15 de outubro de 2021
BIOGRAFIA
quarta-feira, 13 de outubro de 2021
DOIS TEMPOS
terça-feira, 12 de outubro de 2021
INFÂNCIAS E ABERRÂNCIAS
segunda-feira, 11 de outubro de 2021
MORTE E MEMÓRIA
domingo, 10 de outubro de 2021
ÓCIO E HIGIENE DOMÉSTICA
quarta-feira, 6 de outubro de 2021
SOBRE A FRAGILIDADE DE NOSSAS LEMBRANÇAS
domingo, 3 de outubro de 2021
MEUS MUNDOS
segunda-feira, 27 de setembro de 2021
COMUNHÃO
terça-feira, 21 de setembro de 2021
FALSA NOSTALGIA
domingo, 5 de setembro de 2021
PASSADO PRESENTE
O SUPERMEN DE JOHN BYRNE II
sexta-feira, 3 de setembro de 2021
NÃO IDENTIDADE
O SUPERMEN DE JOHN BYRNE
quinta-feira, 2 de setembro de 2021
A CASA ANTIGA
domingo, 29 de agosto de 2021
MÚSICA E ILUSÃO
SOBRE A MAGIA MIDIÁTICA DOS NOVECENTOS
CONFLITO DE GERAÇÕES
MITOLOGIA DA MEMÓRIA
sexta-feira, 20 de agosto de 2021
TRISTEZA
quinta-feira, 19 de agosto de 2021
DO LUTO A SAUDADE
quarta-feira, 4 de agosto de 2021
SAUDADE
A morte redesenha o passado,
sepulta o futuro,
e reduz o nada da eternidade
ao instante de um susto.
No adeus cravado na memória,
A vida me apequena no assombro cavado
pelo teu silêncio,
Enquanto me fere e conforma um adeus
que não cala a saudade,
que não da conta da vontade de te ver de novo,
enquanto a vida grita:
nunca mais.
sexta-feira, 30 de julho de 2021
LIVROS
quarta-feira, 28 de julho de 2021
INFÂNCIA E MITOLOGIA
terça-feira, 27 de julho de 2021
MEDO DE ESCURO
A VIDA CONSUMADA ANTES DO FIM
Causa um profundo espanto que tudo aquilo que me definiu o cotidiano e a existência durante tantos anos, seja sob a forma de pessoas e lugares, tenha desaparecido repentinamente nas brumas do esquecimento e da ausência de uma hora pra outra.
Definitivamente, nada agora é realmente importante e sobrevivo ao meu passado como uma sucata inútil esperando encontrar minha própria ausência como colapso físico e orgânico da minha nula existência.
Meu tempo presente é sobreviver a quem fui entre os outros sem qualquer expectativa de por vir.
sábado, 24 de julho de 2021
VIDA E MORTE
quarta-feira, 14 de julho de 2021
A CASA ANTIGA
quarta-feira, 7 de julho de 2021
ENVELHECIMENTO E PRECARIEDADE
LEMBRANÇA E VIDA
No álbum de fotografias
dos anos dourados da família,
a vida figura plena,
intensa e infinita.
Hoje, entretanto, quase todos estão mortos.
Sou eu um dos poucos sobreviventes
de um passado comum perdido
que ainda hoje nos define o possível da vida.
No triste silêncio do álbum de fotografias
Dói a vazia memória de dias seguintes
que foram arrancados do nosso futuro
que jamais se fez presente.
quinta-feira, 1 de julho de 2021
MEMÓRIA E ESQUECIMENTO
quarta-feira, 30 de junho de 2021
SOB A GUARDA DOS PAIS
Infelizmente, só sabemos da preciosidade que é a tutela dos pais durante nossa minoridade quando é tarde demais. Livres das obrigações da persona adulta, não perdemos a maior parte do dia vivendo inutilmente para sociedade em troca de dinheiro. Usamos nosso tempo livre para o exercício da imaginação e de invenção do mundo na duração das coisas no tempo. Hoje, a lembrança desta cândida realidade que parecia cotidianamente tão banal, aperta o peito de saudade….
segunda-feira, 7 de junho de 2021
GENEALOGIA
quinta-feira, 27 de maio de 2021
INFÂNCIA
quinta-feira, 20 de maio de 2021
LEMBRANÇA E MEMÓRIA
quarta-feira, 19 de maio de 2021
VIVER É UM MODO DE DESAPARECIMENTO
segunda-feira, 17 de maio de 2021
TEMPOS SOMBRIOS
terça-feira, 11 de maio de 2021
A CASA
segunda-feira, 10 de maio de 2021
SOBRE TORNAR-SE UM ORFÃO
domingo, 25 de abril de 2021
VIDA PEQUENA
sexta-feira, 23 de abril de 2021
ANOS 70
O PÓS VIDA DA MINHA EXISTÊNCIA TRISTE
terça-feira, 13 de abril de 2021
ANIVERSÁRIOS
quarta-feira, 7 de abril de 2021
ENVELHECER E MORRER
terça-feira, 23 de março de 2021
CONTRA O CONCEITO DE ANCESTRALIDADE
segunda-feira, 22 de março de 2021
O QUINTAL
As mangueiras não existem mais no fundo do quintal.
Nem bananeiras, bambus, cana ,
cigarras, marimbondos e mariposas
decoram hoje a paisagem
que tanto nos comunicava
um tempo ancestral
onde a natureza
ainda corria nas veias.
Hoje o quintal é quase um deserto
dentro do que restou de nós.
sexta-feira, 19 de março de 2021
TEMPO E ALTERIDADE
terça-feira, 9 de março de 2021
A SOLIDÃO COMO MODO DE VIDA
quarta-feira, 3 de março de 2021
A MISÉRIA DA VIDA ADULTA
ANCESTRALIDADE
domingo, 7 de fevereiro de 2021
LUGAR DE VIDA
domingo, 31 de janeiro de 2021
FOGUEIRAS
quarta-feira, 27 de janeiro de 2021
A ERA DE PRATA DOS QUADRINHOS
Nascido em 1971, minha relação com o imaginário das HQs foi profundamente impactada pela evolução da chamada "Era de Bronze" dos quadrinhos americanos (1970-1986) e pelo revisionismo "pós-Crise das Infinitas Terras" (depois de 1986). Foi neste intervalo cronológico que colecionei sistematicamente quadrinhos. Principalmente aqueles ligados aos universos DC e Marvel.
Seguindo a conturbada conjuntura social e política norte americana de fins dos anos 60 e inicio dos anos 70, a era de bronze caracterizou-se por histórias menos maniqueistas e uma construção mais realistas das personalidades e dilemas dos chamados super-heróis. Além disso, muitas histórias passaram a refletir os conflitos políticos e questionamentos filosóficos e morais do período. É nessa época que, embora criado nos anos 60, o Pantera Negra adquiri mais visibilidade, assim como ganham protagonismos heróis negros como o Falcão, enquanto parceiro do Capitão América, e Luck Cage, para citar o reflexo dos confritos raciais nos Estados Unidos. Do ponto de vista do realismo impossivel não lembrar da morte da namorada do Homem Aranha, em 1973, durante uma batalha com o Duente Verde. Posteriormente seu pai, chefe de polícia, acaba também falecendo, desta vez em um confronto entre o herói e o doutor Octopus.
No universo DC, merece especial destaque nesse mesmo período a série do roteirista Dennis O Neil, associado ao desenhista Neal Adams, envolvendo a parceria entre o Arqueiro verde e o lanterna verde e, posteriormente a Canário Negro, que embarcam juntos em uma road-comic pelas estradas americanas, enfrentando questões como drogas e racismo. A primeira série do Monstro do Pântano é originalmente de 1972 e 1976.
O fato é que foi nesse período que o imaginário dos quadrinhos começou a “crescer” ou “amadurecer”, abandonando temáticas simplórias formatadas pelo moralismo da eterna luta do bem contra o mal, dedicado ao entretenimento inocente de um público infanto-juvenil. Minha geração cresceu neste momento de “amadurecimento” dos quadrinhos e isso fez muita diferença para mim em termos de construção de uma referência ética em minha pratica de vida.
sábado, 23 de janeiro de 2021
NOSTALGIA
quinta-feira, 14 de janeiro de 2021
ORIGEM
Um dia uma criança foi no meu lugar outra versão deste corpo.
Era outro tempo e minha vida acontecia dentro de outras pessoas.
Através do meu eu criança o desejo encantava toda a realidade.
A imaginação era maior do que o pensamento e o tempo.
Tudo parecia para sempre...
Meu corpo era a medida de todas as coisas do mundo.
domingo, 10 de janeiro de 2021
O DESVALOR DA VIDA
sexta-feira, 8 de janeiro de 2021
SIR LOCK E XERETA
Criado por Carl Fallferg e All
Hubard, Sir Lock Holmes
é literalmente uma toupeira. O
personagem da Disney
é evidentemente
uma paródia do famoso
detetive criado
por Connan Doyle. Mas
a paródia
me encantava nos anos 70 do último século mais
do que o original. Por
conta disso tive uma relação especial com um brinquedo que me
remetia a personagem; O cachorro
Xereta da Estrela. Como
minha imaginação infantil se apropriava de tais imagens e as articulava hoje me
escapa. Só sei que eu levava muito a sério brincar de detetive. Mesmo
sem respeitar o estereótipo da figura do detetive particular tão
consagrada pela literatura e pelo cinema. Afinal, minha principal
referência de detetive sempre foi o Batman, um detetive muito peculiar. Definitivamente, usar cachimbo e sobre tudo era o que naquele período definia um detetive para mim. Mas eu devia ter um cinco anos apenas e pouco sabia sobre o que é um detetive. Hoje nada disso me parece importante. A criança que fui um dia simplesmente não mais existe, assim como suas questões...
segunda-feira, 4 de janeiro de 2021
PRIMEIRAS BRINCADEIRAS E RITUAIS DE INFÂNCIA
Nos meus primeiros anos, passava horas sentado no chão desenhando histórias em quadrinhos na terra. Desenhava uma cena, apagava e desdobrava em um novo desenho. Demorei um pouco para descobrir o papel. Mas só o fazia, não sei por quê, no quintal dos meus avós. Na casa dos meus pais tinha outras brincadeiras. Adorava morar no jardim dentro das folhagens que me lembravam vivamente uma confortável caverna. Creio que essa foi uma das minhas brincadeiras mais primitivas.
COMO É FÁCIL ESQUECER O PRIMEIRO DIA NA ESCOLA
Nem mesmo eu lembro do meu primeiro dia na escola. Tudo que sei é que não queria ir. Mesmo gostando da ideia de comprar mochila, merendeira e desenhar com lápis colorido, ser arrancado do ambiente privado familiar e abandonado na hostil prisão em regime semi aberto da escola, foi para mim um trauma.
Como a maioria das crianças me adaptei à escola. Mas pelos laços afetivos com alguns pares, sempre incertos e provisórios, do que propriamente pela massante rotina desagradável das aulas. Mas eu não era o único esperando a hora de rezar ao tal do menino jesus e ir embora. Meu pai ou minha tia sempre iam buscar a mim e a minha irmã que, diga-se de passagem, nunca frequentamos a mesma turma e , mais tarde seguimos destinos escolares bem diferentes.
Enfim, não me lembro do meu primeiro dia na escola. Mas me lembro muito bem o quanto detestava a escola e só a suportava pela convivência com os colegas de turma. Minha ma~e nos criou sem brincar na rua. Logo, a escola era nossa única forma de relacionamento fora do universo familiar.



