Não posso
familiarizar ninguém com os códigos e estruturas de sensibilidades e experiências
concretas que em diversos momentos definiram meu cotidiano vivido. Muito menos
fornecer um panorama factual que permita interpretações externas da minha trajetória
pessoal e biográfica que propiciem a hipotéticas interpretações, recortes de
significações que extrapolem minha narrativa, na exata medida em que mergulham
minhas vivencias em contextos menos abstratos e demasiadamente concretos. Talvez
a ponto de me reduzir a um estudo de caso, considerando as especificidades da
cidade e o meio social em que nasci em uma dada época. Tal tipo de leitura
ilusoriamente realista, não seria suficiente para invocar meu próprio testemunho
pessoal e muito menos as significações e apetites que definiram minha experiência
da existência.
Considero, assim,
pouco preciso qualquer formulação autobiográfica que não considere as fantasias,
sonhos e ilusões que definem cada época de vida. De certa maneira, habitamos
mundos diversos que variam de acordo com nossa idade biológica e social e, também,
variam com o modo como somos atingidos subjetivamente pelo fluxo de experiências.
Cada momento ou fase de uma existência é definida por um conjunto de questões
subjetivas especificas.
Considerando que
o significado de uma vida inteira é sempre uma construção que denuncia as forma
peculiares como significamos a própria vida e o mundo, tudo que fazemos é
preencher de significado o vazio de nossa existência perecível e efêmera.