No inicio dos
anos 2000, eu vivia um pouco como cigano. Herança dos anos de graduação. Aluguei
quartos, dividi apartamento, morei de favor em casa de amigos. Tudo que
importava era ter um teto para dormir. Mas nada parecido com um lar. No fundo,
eu me sentia um desabrigado da existência. Vivia sozinho e esta era a principal
diferença quando comparava a vida na capital com a antiga vida de província quando
morava com meu pais. De muitas maneiras, a solidão me definia. Sempre me
definiu. Eu idealizava demais a vida e desprezava a mais elementar realidade. Tinha
meus livros e neles havia mais realidades do que no meu dia a dia. Inapto a
construir uma vida sozinho, me sentia condenado a ser um pouco a parte dos
outros.
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