sexta-feira, 17 de fevereiro de 2017

SOZINHO



No inicio dos anos 2000, eu vivia um pouco como cigano. Herança dos anos de graduação. Aluguei quartos, dividi apartamento, morei de favor em casa de amigos. Tudo que importava era ter um teto para dormir. Mas nada parecido com um lar. No fundo, eu me sentia um desabrigado da existência. Vivia sozinho e esta era a principal diferença quando comparava a vida na capital com a antiga vida de província quando morava com meu pais. De muitas maneiras, a solidão me definia. Sempre me definiu. Eu idealizava demais a vida e desprezava a mais elementar realidade. Tinha meus livros e neles havia mais realidades do que no meu dia a dia. Inapto a construir uma vida sozinho, me sentia condenado a ser um pouco a parte dos outros.


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