A memória
pessoal é uma associação livre de ideias e sentimentos personificadas por
imagens do passado pessoal filtradas pelas tonalidades emocionais do presente.
Tais imagens nos dão identidade e, de certa maneira, configuram nossa forma de
perceber o mundo. A lembrança esta longe de ser uma atividade ingênua ou
lúdica, mas um mergulho em formas ancestrais de consciência da realidade que
remetem a grandezas impessoais. Lembrar a casa em que crescemos, figuras
parentais ou determinados eventos e experiências, transcendem o pessoal e nos
lançam ao modo próprio de ser do humano. Quanto mais envelhecemos, mais o passado se
torna uma vivencia mítica que parece situar-se fora do tempo e espaço, quase
como uma lembrança onírica. Lembramos de nós mesmos como um outro e das
circunstâncias passadas como um período edílico. É preciso atingir certa idade
para se compreender tal fenômeno e perceber o passado se afogar no crepúsculo.
O que faço aqui não é exatamente um balanço biográfico, mas um esforço singelo para preservar o mundo tal como se apresentou para mim. Tento estabelecer a narrativa definidora da minha existência, os caminhos da minha finitude e meu modo próprio de me inscrever em uma determinada época e configuração de mundo. Aqui me ocupo de todos os tempos de mim mesmo em finitude e espanto. Levo a cabo um balanço provisório de quem fui em minha experiência de mundo.
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