quarta-feira, 15 de fevereiro de 2017

SUBJETIVIDADE E MEMÓRIA SOCIAL

Não posso familiarizar ninguém com os códigos e estruturas de sensibilidades e experiências concretas que em diversos momentos definiram meu cotidiano vivido. Muito menos fornecer um panorama factual que permita interpretações externas da minha trajetória pessoal e biográfica que propiciem a hipotéticas interpretações, recortes de significações que extrapolem minha narrativa, na exata medida em que mergulham minhas vivencias em contextos menos abstratos e demasiadamente concretos. Talvez a ponto de me reduzir a um estudo de caso, considerando as especificidades da cidade e o meio social em que nasci em uma dada época. Tal tipo de leitura ilusoriamente realista, não seria suficiente para invocar meu próprio testemunho pessoal e muito menos as significações e apetites que definiram minha experiência da existência.  

Considero, assim, pouco preciso qualquer formulação autobiográfica que não considere as fantasias, sonhos e ilusões que definem cada época de vida. De certa maneira, habitamos mundos diversos que variam de acordo com nossa idade biológica e social e, também, variam com o modo como somos atingidos subjetivamente pelo fluxo de experiências. Cada momento ou fase de uma existência é definida por um conjunto de questões subjetivas especificas.

Considerando que o significado de uma vida inteira é sempre uma construção que denuncia as forma peculiares como significamos a própria vida e o mundo, tudo que fazemos é preencher de significado o vazio de nossa existência perecível e efêmera.    

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