Trabalhando fixo em um cargo
comissionado e permanecendo na Capital, mantinha, entretanto, a rotina de vida
de estudante. Morava precariamente, dedicava os fins de semana a perambular
pelas ruas frequentando bares e fazia dos livros meus maiores amigos. Por outro lado, deixava
em reticências a carreira acadêmica e me ocupava de ganhar o pão de cada dia. Mas não
era pragmático. Não fazia planos. Confiava demasiadamente no acaso e nas peripécias
do agora. Havia em mim uma afirmação de juventude eterna que, por mero
capricho, acreditava proveniente da minha identidade com o velho e bom rock and
roll que, apesar de todas as variações dos meus momentos vividos, permanecia
como uma constante.
Eu era do tipo de funcionário metódico
e dedicado. Afinal, vivia meu primeiro emprego e julgava questão de caráter
procurar exercer da melhor maneira possível minha função. Não achava nos anos
2000 que o emprego teria longa duração e que me acomodaria a ele.
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