sexta-feira, 10 de fevereiro de 2017

PERDIDO NA CIDADE



Desde que comecei a trabalhar em 1997,  tive minha rotina  definida pela alternância entre as  horas mecânicas de expediente e os bons momentos dedicados ao prazer dos botequins. Viver sozinho me propiciava hábitos muito peculiares formatados pela introspecção. Basicamente ia para casa apenas para dormir.

Depois do trabalho e nos fins de semana passava muito tempo nas ruas, me sentia a vontade nos espaços públicos. A maior parte do tempo estava sozinho. Mas gostava disso. Eu era um típico flaneur a se perder no labirinto urbano fugindo a mesmice das horas de trabalho.

Quando se vive em uma cidade onde não nasceu e cresceu, é normal considerar-se sempre um estrangeiro. Não importa o acúmulo dos anos, sempre me sentirei nômade e desterritoriarizado, sempre me sentirei um estranho em paisagens que não me remetem a infância.  

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