Trabalhar por
quase duas décadas em um mesmo lugar é uma experiência de despersonalização. Na
fluidez de rotinas e protocolos nos confundimos tanto com nossa persona que nos
desfazemos de quem somos, nos tornamos nosso próprio personagem na medida em
que começamos a fazer parte do lugar. Afinal, o trabalho é um modo de
socialização, de se reduzir a uma função. Precisamos nos acomodar aos fatos, as
pessoas e situações.
Ao longo dos
anos muitas pessoas passaram pela instituição e seguiram suas vidas. Eu,
entretanto, fui ficando, me acomodando e me confundindo com a história do
lugar. É como se o trabalho se tornasse um destino. Isso envelhece, pois nos
tira a vivencia de desafios, de construir situações e coisas novas que nos
levem a crescer como indivíduo produtivo. Ficar preso durante anos a variações da mesma
rotina nos rouba a alma. O tempo passa e não nos transforma.
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