sexta-feira, 10 de fevereiro de 2017

SOBRE A NARRATIVA AUTOBIOGRÁFICA



Escrever a vida não é um inventário de acontecimentos. Mas uma arqueologia da presença. Uma narrativa biográfica deve para mim comunicar um modo de ser. Isso é mais do que compartilhar experiências e vivencias. É estabelecer a própria singularidade diante de um mundo que nos afirma iguais. 


Em uma sociedade massificada dizer ás coisas que vivem em nós não é uma tarefa fácil, pois tendemos a compartilhar imagens de cultura. Assim, uma serie de TV se torna um artifício de memória tanto quanto a casa em que crescemos, apesar de sua impessoalidade.


Não entendo um esforço autobiográfico como um balanço da existência, como um labor mnemônico onde interdições e esquecimentos são tão decisivos quanto nossa capacidade de rememorar. 

A reflexão autobiográfica é um labirinto onde nos confrontamos com a fragilidade e perenidade de nossa condição humana.


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