Difícil evitar certa nostalgia
quando penso naqueles tempos em que atingia sem perceber os trinta anos de
idade e atingia o vigor pleno da
juventude. Apesar do meu temperamento um tanto quanto melancólico, a existência
era para mim plena de sentido e pouca atenção dava ao problema da finitude.
Mesmo assim a ideia de morte me rendia alguns versos imperfeitos e me
preocupava em demasia com as ilusões de amor romântico. Não sabia viver minha
juventude e levar as ultimas consequências às possibilidades da idade. Era
introvertido e voltado demais para meu mundo intimo e pouco para as exigências do
existir concreto. Nunca soube levar a vida. Por isso não tinha uma existência cotidiana
estável ou regada. Mesmo após sair da faculdade continuei vivendo de modo
improvisado. Nunca tive uma residência minimamente estruturada e finanças
equilibradas. Continuava vivendo como um estudante e , pior do que isso,
pensando como um.
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