Terminar o ensino médio foi um
momento importante. Vivi a minha primeira ruptura com a vida escolar e,
consequentemente, fiquei diante do desafio de engatinhar em busca do meu
próprio sustento contando apenas com a formação educacional que possuía. Na época
não possuía a mínima noção do quão decisiva aquela aventura era para definição
do meu futuro. Não possuía qualquer ideal profissional . Pelo contrário, era
bastante cético em relação aquele futuro que se desenhava como técnico em Estradas. Sabia que não era o que
queria da minha vida. Pensava em tentar alguma faculdade. Mas ainda não tinha
qualquer definição quanto ao caminho a seguir. Eu era do tipo sonhador e
idealista. Não estava muito apto a sobrevivência e a construção de uma carreira
promissora em qualquer profissão. Ocupava-me mais do ingênuo oficio inútil de
mudar o mundo. Mas seja lá de que forma,
eu precisava sobreviver. Para mim isso implicava em estudar mais. No ano em que
morei na paradisíaca Armação de Búzios não
perdi tempo com tais dilemas. Uma coisa que gostava de fazer aos fins de semana
era ir para uma praia praticamente deserta e ficar entre as pedras observando o
mar e pensando na vida. Certa vez tentei fotografar o momento com uma antiga câmera
analógica, Mas fui surpreendido por uma onda e estraguei a máquina. Não possuo
uma única foto deste período. Por mais incrível que possa parecer.
O que faço aqui não é exatamente um balanço biográfico, mas um esforço singelo para preservar o mundo tal como se apresentou para mim. Tento estabelecer a narrativa definidora da minha existência, os caminhos da minha finitude e meu modo próprio de me inscrever em uma determinada época e configuração de mundo. Aqui me ocupo de todos os tempos de mim mesmo em finitude e espanto. Levo a cabo um balanço provisório de quem fui em minha experiência de mundo.
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