O fim do milênio e inicio do novo
século me encontrou ainda no dilema de conclusão da graduação. Além disso me envolvia amorosamente
com a mãe de uma amiga de estagio no museu. Foi um episódio inusitado e
inesperado, um capítulo ímpar na minha vida que pode ser considerado
essencial ao meu amadurecimento emocional. Afinal, mesmo que tardiamente, foi
meu primeiro e mais duradouro relacionamento. Só terminou em 2005 por desgaste
natural de suas rotinas. Até hoje somos amigos e ela foi a referencia afetiva
mais importante e duradoura nestes anos
de vida na Capital.
Nos anos 2000 eu ainda mantinha algum otimismo
em relação ao futuro. Apostava na mudança e não nas inércias da rotina. Ainda
era suficientemente jovem para apostar no amanhã, esta mania ingênua da
juventude.
Em 2001, sob a ameaça de ser
jubilado, concluía minha monografia e a graduação
pondo fim ao meu vinculo formal com a universidade. Foi uma etapa melancólica.
Mas o tema do minha narrativa um pouco ousada e pouco academicista era um
esforço para pensar a historiografia em um profundo dialogo com a psicologia analítica.
Estava obcecado pela obra de Jung naqueles tempos. Eram anos de releituras e
redefinições intelectuais nos quais deixava para trás de forma definitiva o
marxismo e a militância política. Abandonava de vez as paisagens intelectuais do
século XX e tateava as possibilidades oferecidas pelo novo milênio. Aos
poucos me aproximava de uma perspectiva pós-moderna ou pós estruturalista. A mítica de viver um novo século me
entusiasmava, tanto pessoal como intelectualmente, muito embora do ponto de vista prático isso não fizesse qualquer iferença.
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