sexta-feira, 27 de janeiro de 2017

O FIM DO MILENIO



O fim do milênio e inicio do novo século me encontrou ainda no dilema de conclusão da graduação. Além disso me envolvia amorosamente com a mãe de uma amiga de estagio no museu. Foi um episódio inusitado e inesperado, um capítulo ímpar na minha vida que pode ser considerado essencial ao meu amadurecimento emocional. Afinal, mesmo que tardiamente, foi meu primeiro e mais duradouro relacionamento. Só terminou em 2005 por desgaste natural de suas rotinas. Até hoje somos amigos e ela foi a referencia afetiva mais importante e duradoura  nestes anos de vida na Capital.


 Nos anos 2000 eu ainda mantinha algum otimismo em relação ao futuro. Apostava na mudança e não nas inércias da rotina. Ainda era suficientemente jovem para apostar no amanhã, esta mania ingênua da juventude.


Em 2001, sob a ameaça de ser jubilado, concluía minha monografia e a graduação pondo fim ao meu vinculo formal com a universidade. Foi uma etapa melancólica. Mas o tema do minha narrativa um pouco ousada e pouco academicista era um esforço para pensar a historiografia em um profundo dialogo com a psicologia analítica. Estava obcecado pela obra de Jung naqueles tempos. Eram anos de releituras e redefinições intelectuais nos quais deixava para trás de forma definitiva o marxismo e a militância política. Abandonava de vez as paisagens intelectuais do século XX e tateava as possibilidades oferecidas pelo novo milênio. Aos poucos me aproximava de uma perspectiva pós-moderna ou pós estruturalista.  A mítica de viver um novo século me entusiasmava, tanto pessoal como intelectualmente, muito embora do ponto de vista prático isso não fizesse qualquer iferença.

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