segunda-feira, 16 de janeiro de 2017

NOVOS DESAFIOS



Como todo típico adolescente adorava ideias radicais e um pouco de rebeldia comportamental. Quando penso hoje nos tempos de militância naqueles velhos anos de movimento estudantil e atividade político partidária, entre os meus dezessete e vinte tantos anos, causa-me certo espanto o voluntarismo e o demasiado deslumbramento que me despertavam questões ideológicas. Afinal, a militância política não respondia as minhas buscas existenciais mais profundas.  Me definia, então, antes de tudo como um poeta, e tinha sonhos de escrever algo relevante algum dia.


 A disciplina e a ênfase demasiada no econômico e no político do discurso ativista ou, mais especificamente, militante, hoje me parece incompatível com todos os devaneios nos quais me afogava nas horas vagas. Mas nunca vi qualquer contradição entre a ação política e minhas buscas existenciais, entre um pensar mais extrovertido, coletivista, e outro mais introspectivo e individualista. É claro que hoje em dia tal incompatibilidade me parece evidente. Mas na época resolvia tudo com um pouco de filosofia.


Sinto falta daqueles anos em que o mundo se definia para mim através da nitidez do meu ângulo de visão cada vez mais claro. Como a matéria do ensino médio  onde me destacava de modo singular era história, tentei  vestibular para o curso de História.  Tanto na faculdade da Capital quanto naquela existente em minha própria cidade. Aprovado em ambos os exames, evidentemente escolhi a  primeira e, pela segunda vez, deixei a casa dos meus pais. Agora por um período longo e para enfrentar um desafio maior. Justo eu que tanto lamentava o provincianismo e mediocridade da minha cidade natal.

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