Como todo típico adolescente
adorava ideias radicais e um pouco de rebeldia comportamental. Quando penso
hoje nos tempos de militância naqueles velhos anos de movimento estudantil e
atividade político partidária, entre os meus dezessete e vinte tantos anos,
causa-me certo espanto o voluntarismo e o demasiado deslumbramento que me despertavam
questões ideológicas. Afinal, a militância política não respondia as minhas buscas
existenciais mais profundas. Me definia,
então, antes de tudo como um poeta, e tinha sonhos de escrever algo relevante
algum dia.
A disciplina e a ênfase demasiada no econômico
e no político do discurso ativista ou, mais especificamente, militante, hoje me
parece incompatível com todos os devaneios nos quais me afogava nas horas
vagas. Mas nunca vi qualquer contradição entre a ação política e minhas buscas
existenciais, entre um pensar mais extrovertido, coletivista, e outro mais
introspectivo e individualista. É claro que hoje em dia tal incompatibilidade
me parece evidente. Mas na época resolvia tudo com um pouco de filosofia.
Sinto falta daqueles anos em que o
mundo se definia para mim através da nitidez do meu ângulo de visão cada vez
mais claro. Como a matéria do ensino médio onde me destacava de modo singular era história,
tentei vestibular para o curso de
História. Tanto na faculdade da Capital
quanto naquela existente em minha própria cidade. Aprovado em ambos os exames, evidentemente escolhi a primeira e, pela segunda vez, deixei a casa dos
meus pais. Agora por um período longo e para enfrentar um desafio maior. Justo eu que tanto lamentava o provincianismo e mediocridade da minha cidade natal.
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