terça-feira, 24 de janeiro de 2017

DIAS DE FACULDADE



Nos anos de faculdade, longe da casa dos pais e vivendo em uma cidade estranha onde não tinha vestígios de qualquer passado, fui aos poucos aprendendo a  sobreviver de improvisos e precariedades. Nada mais natural à vida de um estudante, de um jovem voltado para a realidade dos livros contra a desrealidade do simples cotidiano possível. A universidade me proporcionava a ilusão de que vivia mais do que o mundo. Era esta a experiência que eu tinha como cidadão de uma abstrata e precária república das letras. Era isso que definia meu ethos de estudante.

Apesar de tudo, me sentia feliz e plenamente sabendo as coisas boas da vida, a intensidade dos momentos.  Ainda era fácil ser feliz naqueles tempos, como se a infância fosse perpetuada pela adolescência na possibilidade de saber intensamente o mundo sem muito pragmatismo.

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