Nos anos de faculdade, longe da
casa dos pais e vivendo em uma cidade estranha onde não tinha vestígios de
qualquer passado, fui aos poucos aprendendo a
sobreviver de improvisos e precariedades. Nada mais natural à vida de um
estudante, de um jovem voltado para a realidade dos livros contra a
desrealidade do simples cotidiano possível. A universidade me proporcionava a
ilusão de que vivia mais do que o mundo. Era esta a experiência que eu tinha
como cidadão de uma abstrata e precária república das letras. Era isso que
definia meu ethos de estudante.
Apesar de tudo, me sentia feliz e
plenamente sabendo as coisas boas da vida, a intensidade dos momentos. Ainda era fácil ser feliz naqueles tempos,
como se a infância fosse perpetuada pela adolescência na possibilidade de saber
intensamente o mundo sem muito pragmatismo.
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