Na plenitude dos meus dezessete
anos eu me encontrava, de fato, mesmo sem o saber, na plenitude do acontecer
da minha vida. Tinha todos os caminhos da existência abertos a minha frente.
Imaginava poder aprender tantas coisas, poder fazer e acontecer... que tinha
dificuldades para escolher o trilho de qualquer opção de futuro.
Como todo jovem era
inconsequente. Me faltava o peso dos anos, qualquer sentimento de finitude,
para impor me impor alguma prudência diante do ilimitado e insatisfeito apetite
pela vida que me consumia.
Mas agora, ao lado das HQs os livros se tornavam meu segundo mundo.
Intuitivamente, guiado pela curiosidade e a vontade de saber, comecei a
descobrir os pensadores universais que me inspirariam para o resto da vida:
Nietszche, Freud, Marx e alguns outros
passaram a povoar meus pensamentos e atiçar minhas ideias, convicções; semear
questionamentos que eu ainda não tinha suficiente maturidade para
satisfatoriamente considerar.
Estava me descobrindo, decifrando
a vida e o mundo. Tudo parecia agora compreensível, catalogável e
representável. Aprendia mais em casa
enterrado em meus livros do que na escola. Não demorou muito para me considerar
um pouco melhor do que os outros e passar a dialogar de igual para igual com
alguns professores quando o assunto era história, geografia ou envolvesse um
pouco de filosofia. Mesmo eu no fundo
ainda conhecendo muito pouco, tinha um conhecimento acima da media e suficiente
para parecer mais esperto do que realmente era.
Não tenho orgulho daquele
adolescente que fui. Mesmo reconhecendo nele o ponto de partida para todas as minhas escolhas posteriores.
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