segunda-feira, 9 de janeiro de 2017

ANOS DE FORMAÇÃO



Na plenitude dos meus dezessete anos eu me encontrava, de fato, mesmo sem o saber, na plenitude do acontecer da minha vida. Tinha todos os caminhos da existência abertos a minha frente. Imaginava poder aprender tantas coisas, poder fazer e acontecer... que tinha dificuldades para escolher o trilho de qualquer opção de futuro.
Como todo jovem era inconsequente. Me faltava o peso dos anos, qualquer sentimento de finitude, para impor me impor  alguma prudência  diante do ilimitado e insatisfeito apetite pela vida que me consumia.
Mas agora, ao lado das  HQs os livros se tornavam meu segundo mundo. Intuitivamente, guiado pela curiosidade e a vontade de saber, comecei a descobrir os pensadores universais que me inspirariam para o resto da vida: Nietszche,  Freud, Marx e alguns outros passaram a povoar meus pensamentos e atiçar minhas ideias, convicções; semear questionamentos que eu ainda não tinha suficiente maturidade para satisfatoriamente considerar.

Estava me descobrindo, decifrando a vida e o mundo. Tudo parecia agora compreensível, catalogável e representável.   Aprendia mais em casa enterrado em meus livros do que na escola. Não demorou muito para me considerar um pouco melhor do que os outros e passar a dialogar de igual para igual com alguns professores quando o assunto era história, geografia ou envolvesse um pouco de filosofia.  Mesmo eu no fundo ainda conhecendo muito pouco, tinha um conhecimento acima da media e suficiente para parecer mais esperto do que realmente era.

Não tenho orgulho daquele adolescente que fui. Mesmo reconhecendo nele o ponto de partida para  todas as minhas escolhas posteriores.

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