sexta-feira, 27 de janeiro de 2017

DIVERSÃO E DIFICULDADES



Por mais contraditório que possa parecer, a precariedade da minha condição financeira naqueles anos não impactava muito. Tudo parecia mais fácil. Dias de perrengue eram sucedidos por noites de diversão. Afinal, convivia e conhecia muitas pessoas. Sempre conseguíamos coletivamente bancar algumas horas de alegria regadas a álcool. Era uma época de dificuldades, mas também de boas aventuras. De inicio contava apenas com a ajuda financeira dos meus pais. Depois de alguns semestres de faculdade, entretanto, passei a contar com algumas bolsas de estudo. A juventude facilitava as coisas, fazia tudo parecer mais leve. Mas apesar de todas as amizades e boemia, naqueles tempos eu apresentava um temperamento melancólico e me sentia solitário ou desenraizado em um mundo vasto e indomável.  Minha vida era feita de livros e filosofias. Via mais realidade na literatura do que no cotidianamente vivido. 
  Se a adolescência fora marcada pela descoberta do rock and rol e do heavy metal como referencia de identidade e estilo, a vida acadêmica  abrandava  um pouco esta identidade. Afinal, vivia um momento de descobertas e novidades. A diversidade de experiências diluía minhas velhas referencias unilaterais de identidade. Era uma  estratégia de adaptação aos anos de graduação e aos novos desafios do dia a dia.  Estava aberto as metamorfoses e transformações que me conduziriam aos novos papeis e desafios da vida adulta. Embora não fosse uma pessoa muito prática, especulava sobre o futuro.


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