Por mais contraditório que possa
parecer, a precariedade da minha condição financeira naqueles anos não
impactava muito. Tudo parecia mais fácil. Dias de perrengue eram sucedidos por
noites de diversão. Afinal, convivia e conhecia muitas pessoas. Sempre conseguíamos
coletivamente bancar algumas horas de alegria regadas a álcool. Era uma época de
dificuldades, mas também de boas aventuras. De inicio contava apenas com a
ajuda financeira dos meus pais. Depois de alguns semestres de faculdade,
entretanto, passei a contar com algumas bolsas de estudo. A juventude
facilitava as coisas, fazia tudo parecer mais leve. Mas apesar de todas as
amizades e boemia, naqueles tempos eu apresentava um temperamento melancólico e
me sentia solitário ou desenraizado em um mundo vasto e indomável. Minha vida era feita de livros e filosofias.
Via mais realidade na literatura do que no cotidianamente vivido.
Se a adolescência fora marcada
pela descoberta do rock and rol e do heavy metal como referencia de identidade
e estilo, a vida acadêmica abrandava um pouco esta identidade. Afinal, vivia um
momento de descobertas e novidades. A diversidade de experiências diluía minhas
velhas referencias unilaterais de identidade. Era uma estratégia de adaptação aos anos de graduação
e aos novos desafios do dia a dia. Estava
aberto as metamorfoses e transformações que me conduziriam aos novos papeis e
desafios da vida adulta. Embora não fosse uma pessoa muito prática, especulava
sobre o futuro.
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