sexta-feira, 27 de janeiro de 2017

PERDE-SE NA CIDADE



Naqueles tempos a existência se resumia para mim em livros e musica. Era apenas o que parecia ter plena realidade naqueles dias de rotina acadêmica. Vivia em um mudo a parte onde eu era plenamente “uma cabeça no mundo”. O pensar era mais pleno que os fatos. .. Algumas aulas eram fantásticas. O mundo parecia fazer pleno sentido em minhas narrativas abstratas sobre a realidade.

Quando não estava na faculdade perambulando pelo campus entre as aulas ( muitas vezes assistia uma aula pela manhã e aguardava até a noite para assistir a próxima) perambulava pela cidade como um andarilho  avido por experiências. Elas estavam nos detalhes de cada lugar, no aconchegante ambiente dos botequins, sebos  e  livrarias. As ruas também tinham seus personagens, suas rotinas. Me sentia um exilado do meu intimo mundo de infância explorando aquele estranho e vasto universo de pessoas e coisas de uma cidade onde eu não tinha passados ou sabia reconhecer vestígios de tempo e memória.

Nenhum comentário:

Postar um comentário