segunda-feira, 2 de janeiro de 2017

FIM DO ENSINO MÉDIO: A REINVENÇÃO DO MUNDO VIVIDO

Ao terminar o ensino médio, através de um curso técnico, fiquei diante de um desafio: precisava estagiar em alguma empresa para validar o diploma. A escola oferecia algumas opções. Optei por aquela que me daria à oportunidade de sair de casa pela primeira vez. Iria para a região de Búzios. Na época um lugarejo ermo e opção de veraneio para a classe media. Não fazia muita ideia de onde estava me metendo. Só sabia que tinha um tio que morava próximo e que me  ajudaria na logística e me daria algum apoio nesta aventura.

Não me lembro das minhas expectativas na ocasião. Como todo adolescente meio rebelde me fascinava a ideia de sair de casa e morar sozinho. Mesmo sem fazer a menor ideia de como seria minha vida. Tudo que sabia que o estagio teria a duração de um ano. Como a vaga em Búzios era em uma empresa pública, não tinha a menor perspectiva de ser aproveitado. Mas ainda era o ano de 1987 e eu tinha a vida inteira pela frente. Não era ainda hora de pensar com responsabilidade.


Buzios naquela época era uma espécie de colônia hippie ou sociedade alternativa visto os tipos exóticos que podia se encontrar por lá. Morei no escritório da própria empresa onde dividia um quarto improvisado nos fundos com um funcionário mais antigo. Nada era muito fácil. Mas eu estava demasiadamente encantado com a novidade. Ao mesmo tempo, estar pela primeira vez longe de casa e por conta própria, me fez experimentar um profundo sentimento de desabrigo. Tudo que eu tinha era muita ilusão e rock and roll na cabeça. 

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