Ao terminar o ensino médio, através
de um curso técnico, fiquei diante de um desafio: precisava estagiar em alguma
empresa para validar o diploma. A escola oferecia algumas opções. Optei por
aquela que me daria à oportunidade de sair de casa pela primeira vez. Iria para
a região de Búzios. Na época um lugarejo ermo e opção de veraneio para a classe
media. Não fazia muita ideia de onde estava me metendo. Só sabia que tinha um
tio que morava próximo e que me ajudaria
na logística e me daria algum apoio nesta aventura.
Não me lembro das minhas expectativas
na ocasião. Como todo adolescente meio rebelde me fascinava a ideia de sair de casa e morar sozinho. Mesmo
sem fazer a menor ideia de como seria minha vida. Tudo que sabia que o estagio
teria a duração de um ano. Como a vaga em Búzios era em uma empresa pública,
não tinha a menor perspectiva de ser aproveitado. Mas ainda era o ano de 1987 e
eu tinha a vida inteira pela frente. Não era ainda hora de pensar com
responsabilidade.
Buzios naquela época era uma espécie
de colônia hippie ou sociedade alternativa visto os tipos exóticos que podia se
encontrar por lá. Morei no escritório da própria empresa onde dividia um quarto
improvisado nos fundos com um funcionário mais antigo. Nada era muito fácil.
Mas eu estava demasiadamente encantado com a novidade. Ao mesmo tempo, estar
pela primeira vez longe de casa e por conta própria, me fez experimentar um
profundo sentimento de desabrigo. Tudo que eu tinha era muita ilusão e rock and
roll na cabeça.

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