quarta-feira, 18 de janeiro de 2017

DESABRIGO



Apesar da aventura e da reinvenção intima do mundo proporcionada pela faculdade, aqueles anos definitivos da minha vida de estudante despertaram em meu intimo um profundo sentimento de desabrigo ou desenraizamento. 

Minha existência era incerta e eu vivia praticamente de improvisos e indeterminações. Não tinha uma casa e muito menos rotinas estruturadas. Mas era feliz. Gozava da minha plena juventude.  Apenas me sentia sozinho e lamentava a falta da velha estrutura familiar. Não ter propriamente uma casa minimamente organizada fazia falta. Além disso aprendia a viver em uma cidade estranha. A  vida acadêmica era minha única referência e se convertia em uma espécie de ethos regado a muita cerveja e madrugadas em claro.Fora isso eu era apenas um indivíduo perdido no mundo.

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