Nestes anos de faculdade,
estabeleci certas rotinas que me condicionariam minha vida por um bom tempo. Uma
delas foi a perda de referencia de um
espaço privado, de um lar. Os lugares em que residia serviam apenas para
pernoitar. Minha vida transcorria no espaço publico. Passeava muito pela
cidade, encontrava pessoas. Vivia praticamente a céu aberto. Nesta época comecei
a frequentar bares e uma das consequências disso foi começar a fumar. Lembro-me
bem da ocasião. Havia parado para beber uma cerveja sozinho em uma bela tarde e, por mero capricho,
resolvi pedir um cigarro para servir de
companhia. Desde então o tabagismo passou a enfeitar meus dias. Tudo isso
compunha aquele ethos
de uma vida de estudante. A única que eu conhecia.
O que faço aqui não é exatamente um balanço biográfico, mas um esforço singelo para preservar o mundo tal como se apresentou para mim. Tento estabelecer a narrativa definidora da minha existência, os caminhos da minha finitude e meu modo próprio de me inscrever em uma determinada época e configuração de mundo. Aqui me ocupo de todos os tempos de mim mesmo em finitude e espanto. Levo a cabo um balanço provisório de quem fui em minha experiência de mundo.
Assinar:
Postar comentários (Atom)
Nenhum comentário:
Postar um comentário