Apesar de todos os meus
engajamentos e idealismos, fui um adolescente solitário e um pouco cético em
relação aos destinos do mundo. Apostava na possibilidade de uma sociedade
melhor, mas era um pouco cético quanto à efetiva possibilidade de uma grande
transformação social. No fundo, tal hipótese só era verossímel pelos
eventos políticos que definiram o século XX. Refiro-me a revolução russa e as
duas guerras mundiais, eventos que, em uma leitura um tanto simplista, compatível com o senso comum, despertavam certa confiança no poder das
ideias e das ideologias induzindo adolescentes como eu a um impulso
voluntarista e romântico. Acreditava que a realidade era plástica diante da vontade bem intensionada e racionalmente orientada.
Ao lado do ativismo político
minha inquietação existencial me conduziu a outros interesses como a
psicanálise e as vanguardas artísticas, em especial o surrealismo. Mas nem
preciso dizer que tinha uma queda para o existencialismo e um fascínio profundo
pela filosofia. Me considerava antes de tudo um poeta. Dedicava-me a escrever
poesia e, portanto, ainda permanecia fechado em meu mundo de fantasia, mesmo
que de um modo mais sofisticado do que na infância.
O fato é que meus novos anos de
ensino médio, cuja função pragmática era me preparar para prestar vestibular,
foi um momento de amadurecimento e definições. Basicamente me tornei um
estudante. Me sentia como tal. O que significa que era um referencial de identidade que ultrapassava a vida escolar. Tratava-se de um estado de espírito e um modo de viver. Na
verdade, a educação formal pouco contribuiu para definição dos meus interesses
e muito menos para o crescimento intelectual que sofri naquele momento. Ser um estudante passou a significar para mim algo mais do que frequentar uma escola.
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