quinta-feira, 12 de janeiro de 2017

ATIVISMO POLITICO E ADOLESCENCIA



Entre o fim dos anos oitenta e durante  todo os anos noventa, a militância comunista ocupou boa parte do meu tempo e influenciou minha rotina e interesses. Como muitos adolescentes questionadores eu encontrava nos “marxismos”  a reposta aparentemente perfeita para todas as contradições e imperfeições do mundo que me cercava. Nada mais compatível com o imaginário ocidental  da segunda metade do século XX, definido pela bipolaridade ideológica entre o bloco capitalista e socialista, onde muitos garotos digeriam as avessas a propaganda anti comunista, tomando o comunismo  como uma referencia para a  luta pela liberdade e autenticidade; como expressão de rebeldia,  apesar de todas as limitações e problemas do socialismo real.

A militância no velho partido comunista me proporcionava também algo próximo de uma vida social. Junto a juventude do partido participei de encontros e congressos em diversas regiões do país. O pouco que conheço dele deve-se as atividades e funções que desempenhei como  ativista. O mesmo posso dizer do desenvolvimento de certo senso de responsabilidade e compromisso que aos poucos viria com a disciplina da militância.

A aposta no comunismo  fazia com que o mundo fizesse algum sentido para mim, preenchia a vida de um propósito. Foi, por exemplo, decisivo para que eu escolhesse uma faculdade de História e começasse a vislumbrar a hipótese de  me tornar professor. Mantinha, ainda o adolescente rockeiro e mais simpático ao anarquismo dentro de  mim. Mas do ponto de vista pragmático o comunismo me proporcionava um horizonte mais promissor no campo da ação.

Meus pais e meu avô não viam com bons olhos meu envolvimento com política. Isso contribuiu para que eu adotasse uma postura mais reservada em relação a eles. Muitas vezes viajava por força das atividades do partido sem comunica-los para onde ia por mera provocação. Devido meu temperamento rebelde  adotei neste período uma postura de franca autonomia em relação a eles. Nunca compartilhava intimidades. 

Por outro lado, era época de Perestroika e de questionamentos a ortodoxia vermelha, mesmo entre os comunistas. Por isso nunca fui um esquerdista dogmático ou preso a doutrina marxista. Pelo contrário, o que se colocava como uma questão  chave em minha militância era a possibilidade de uma refundação do partido e reinvenção do próprio comunismo. Ao contrário dos comunistas formados pela cultura da guerra fria, eu era um comunista da perestroika e me afastava radicalmente dos radicalismos ideológicos. Com isso tinha poucos interlocutores entre os meus pares de movimento estudantil.


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