quinta-feira, 5 de janeiro de 2017

DE VOLTA AO ENSINO MÉDIO

Terminei os anos 80 enfrentando o desafio de cursar uma faculdade. Para tanto,  resolvi me matricular em uma das mais tradicionais escolas públicas da cidade para me preparar para o exame do vestibular. Assim,  retornei ao ensino médio, embora já o tivesse concluído.

Foi um período realmente interessante da minha vida.  Começava a me definir como indivíduo a partir da paixão pelo  rock and roll e de certo engajamento politico de esquerda. O retorno aos bancos de escola naquele momento foi assim decisivo, pois me introduziu no movimento estudantil. Se até então eu havia vivido em função  exclusivamente  das minhas paisagens intimas, agora me via diante do desafio de compreender o mundo e me inserir nele. Fiz então algumas amizades para a vida toda, ou conheci algumas pessoas cujo convívio fraterno me faziam pensar que definitivamente eu tinha um lugar no mundo. Logo estava participando da diretoria do grêmio estudantil e sonhando com revoluções. Em contra partida, como bom adolescente rebelde, tinha dificuldades  de relacionamento com meus pais que, diga-se de passagem eram conservadores e não viam com bons olhos  meu ativismo politico.


Por esta altura já havia trocado o anarquismo pelo comunismo.  A questão era prática. Como anarquista em uma cidade provinciana não havia muito que eu pudesse fazer. Como militante de um partido politico seria diferente. Era o que pensava. Foi também neste período que adquiri hábito de ler sistematicamente sobre história, filosofia e um pouco de literatura.  

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