Terminei os anos 80 enfrentando o
desafio de cursar uma faculdade. Para tanto,
resolvi me matricular em uma das mais tradicionais escolas públicas da
cidade para me preparar para o exame do vestibular. Assim, retornei ao ensino médio, embora já o tivesse concluído.
Foi um período realmente
interessante da minha vida. Começava a
me definir como indivíduo a partir da paixão pelo rock and roll e de certo engajamento politico de
esquerda. O retorno aos bancos de escola naquele momento foi assim decisivo,
pois me introduziu no movimento estudantil. Se até então eu havia vivido em
função exclusivamente das minhas paisagens intimas, agora me via
diante do desafio de compreender o mundo e me inserir nele. Fiz então algumas
amizades para a vida toda, ou conheci algumas pessoas cujo convívio fraterno me
faziam pensar que definitivamente eu tinha um lugar no mundo. Logo estava
participando da diretoria do grêmio estudantil e sonhando com revoluções. Em
contra partida, como bom adolescente rebelde, tinha dificuldades de relacionamento com meus pais que, diga-se
de passagem eram conservadores e não viam com bons olhos meu ativismo politico.
Por esta altura já havia trocado o
anarquismo pelo comunismo. A questão era
prática. Como anarquista em uma cidade provinciana não havia muito que eu
pudesse fazer. Como militante de um partido politico seria diferente. Era o que
pensava. Foi também neste período que adquiri hábito de ler sistematicamente
sobre história, filosofia e um pouco de literatura.

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