Tanto na casa dos meus pais
quanto na dos meus avós, a maior parte do tempo dos adultos era ocupado com
afazeres domésticos. Molhar as plantas, encerar o chão, varrer o quintal, lavar
roupas, etc... Havia sempre uma tarefa do tipo em execução. As vezes eu e minha
irmã ajudávamos. Mas na maior parte do tempo nos dedicávamos a alguma
brincadeira ou nos entretínhamos com TV.
As rotinas eram serenas. Acho que a maior parte do que acontecia no mundo dos
adultos escapava a nossa compreensão. Isso explica porque lembrar a infância nos
desperta certa melancolia e nostalgia. De fato a existência era mais simples
porque não éramos capazes de entender a
complexidade do dia a dia e os fatos do mais simples cotidiano. Mas
aproveitamos pouco esta fase porque , quando criança, idealizamos a vida adulta
e o que mais queremos é conquistar aquela autonomia e liberdade de fazer o que
quer, premissa que só existia em nossas representações ingênuas.
O que faço aqui não é exatamente um balanço biográfico, mas um esforço singelo para preservar o mundo tal como se apresentou para mim. Tento estabelecer a narrativa definidora da minha existência, os caminhos da minha finitude e meu modo próprio de me inscrever em uma determinada época e configuração de mundo. Aqui me ocupo de todos os tempos de mim mesmo em finitude e espanto. Levo a cabo um balanço provisório de quem fui em minha experiência de mundo.
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